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02/10/2026

BFB e Vale mostram como algoritmos, IA e BIM-AWP estão transformando projetos ferroviários

Como transformar um projeto ferroviário de alta complexidade em um processo mais integrado, automatizado e capaz de comparar diferentes cenários, com mais agilidade? Esse foi o foco do webinar conjunto realizado, nesta quinta-feira (01), pelo BIM Fórum Brasil
com a Vale.

A conversa foi mediada por Fernanda Machado, conselheira e coordenadora geral do Comitê Científico e Técnico do BFB, com a participação dos representantes da Vale, Kleber Potratz, gerente de engenharia Infra Norte, e David Gurion, líder de projetos de engenharia, além de Alesson Correa, especialista em projetos de infraestrutura da MCA, que atua na área de logística do projeto da Vale. Foram apresentadas as diferentes tecnologias usadas para apoiar o desenvolvimento do projeto básico da Ferrovia Serra do Rabo, no sudeste do Pará.

Com cerca de 76 km de extensão, o projeto reúne uma série de elementos de infraestrutura, incluindo pátios, terminais, pontes e demais obras de arte especiais, além de aproximadamente 18 milhões de m³ de movimentação de terra. Diante dessa escala, a equipe adotou um fluxo digital estruturado em etapas, combinando algoritmos de otimização, inteligência artificial e BIM-AWP.

Segundo Gurion, o caráter foi de aprendizado. “É um projeto de certa complexidade, que tratamos com carinho por ser um projeto-piloto”, destacou. Ao longo do desenvolvimento, a equipe incorporou algoritmos ao processo de engenharia para automatizar análises e ampliar a capacidade de comparação de cenários. Um dos exemplos foi a otimização da distribuição de massas, que considera cortes, aterros, características geotécnicas e áreas excedente para gerar uma matriz de origem e destino e reduzir o tempo de análise da terraplenagem.

Outro ponto foi a conferência da geometria ferroviária com apoio de IA generativa, apresentada por Correa. A solução confronta parâmetros das curvas horizontais extraídos do AutoCAD Civil 3D com requisitos normativos e regulamentos internos. Com isso, uma análise que levava cerca de duas horas passou a ser realizada em aproximadamente cinco minutos, abrangendo 100% dos parâmetros avaliados. O caso mostrou, na prática, como a IA pode apoiar tarefas específicas da engenharia e reduzir o trabalho manual.

A apresentação também mostrou a evolução do projeto para o BIM-AWP, reunindo diferentes usos e dimensões do modelo: 3D para visualização e detecção de interferências, 4D para planejamento e sequenciamento construtivo, 5D para custos e extração automatizada de cerca de 70% dos quantitativos, além de aplicações associadas ao 6D e à sustentabilidade. O modelo passou ainda a estruturar os elementos conforme a matriz de informação definida no BEP, organizando o projeto em pacotes de trabalho lógicos e gerenciáveis.

Nas considerações finais, Gurion destacou a mudança de abordagem proporcionada pelo projeto: “Saímos desse projeto em prancha para um cenário de modelagem parametrizada”. O webinar mostrou como a integração entre dados, algoritmos, IA e modelos digitais pode aproximar diferentes etapas da engenharia, da definição do traçado à geometria, terraplenagem e modelagem, criando um fluxo mais estruturado para apoiar as decisões de projeto.

Para conferir mais detalhes do projeto, confira à integra do webinar. Clique aqui.

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