X

Notícias

09/04/2026

buildingSMART International Summit: openBIM, dados e o futuro da construção digital

Entre os dias 24 e 26 de março, o Porto, em Portugal, recebeu mais uma edição do buildingSMART International Summit, reunindo especialistas de diferentes países para discutir os avanços mais recentes do openBIM e da transformação digital no ambiente construído. O encontro deixou clara uma mudança importante: o BIM já não é visto apenas como uma ferramenta de modelagem, mas como uma verdadeira infraestrutura de dados.

Ao longo das sessões, temas como interoperabilidade, governança da informação, digital twins e inteligência artificial apareceram não mais como tendências, mas como caminhos já em consolidação no setor.

Um dos principais pontos de consenso foi justamente essa evolução do papel do BIM. Se antes o foco estava nas ferramentas, agora está nos dados, em como são estruturados, organizados, compartilhados e utilizados ao longo de todo o ciclo de vida dos ativos. Essa mudança anda lado a lado com o avanço da inteligência artificial. Para que a IA gere valor de fato, os dados precisam ser confiáveis, padronizados e interoperáveis, e é aí que o openBIM se fortalece como base.

Nesse contexto, padrões como IFC, IDS e os dicionários de dados deixam de ser apenas temas técnicos e passam a ter um papel estratégico, viabilizando novos níveis de automação, análise e tomada de decisão.

Infraestrutura em destaque e o avanço do IFC 4.3

No campo da infraestrutura, o IFC 4.3 foi um dos grandes destaques. O padrão já começa a ser exigido em alguns contextos e segue avançando rapidamente em maturidade.

As discussões mostraram que o desafio agora não é mais adotar, mas evoluir, especialmente em aspectos como geolocalização e integração com sistemas territoriais. Esse tema foi tratado como prioridade global, com articulações internacionais já em andamento.

Casos práticos reforçaram esse cenário, como projetos ferroviários de alta complexidade que utilizam o openBIM para integrar diferentes disciplinas, organizar dados ao longo de décadas e viabilizar a criação de digital twins.

Digital twins e cidades mais inteligentes

Os digital twins também ganharam espaço, especialmente em aplicações urbanas. Exemplos apresentados no próprio contexto do Porto mostraram, na prática, como o BIM está se tornando uma plataforma contínua de gestão de ativos, conectando projeto, construção, operação e manutenção.

A mensagem foi direta: sem dados estruturados e interoperáveis, não há digital twin funcional. E, sem isso, a gestão em larga escala fica limitada.

Outro avanço importante foi o uso do BIM no campo regulatório. Diferentes países já começam a incorporar modelos e dados estruturados em processos de aprovação de projetos, trazendo ganhos claros em eficiência, transparência e qualidade. Esse movimento amplia o papel do BIM, que passa a atuar também como ferramenta de transformação institucional, aproximando tecnologia e políticas públicas.

Dados de produtos e novos modelos digitais

As discussões sobre Digital Product Passports (DPP) reforçaram a importância de organizar e rastrear as informações de produtos ao longo de todo o ciclo de vida.

O tema conecta BIM, indústria e sustentabilidade, apontando para um cenário em que dados confiáveis e padronizados serão essenciais para atender exigências regulatórias, apoiar decisões e impulsionar práticas alinhadas à economia circular.

A visão da delegação brasileira

A delegação brasileira contribuiu para os debates e fortaleceu o diálogo com representantes internacionais. A comitiva contou com o chair da bSBR, Rodrigo Koerich, os diretores Sergio Scheer e Hugo França, e de nomes como Célia Leitão, Michelle Maura, Cibele Alves, Marcus Granadeiro, Cristina Griz, Max Lira, Dudu Ribeiro, Paulo Renato de Andrade, Vagner Emanuel da Silva, Carlos Dias, Elias Magalhães, André Brandão, Flávio Magno, Nathália Turres, Diego Calvetti, Paulo Sena, Rafael Ramalho, Fabiano Oliveira, Tallita Dal’Bosco, Tito Sena, entre outros.

Além das sessões técnicas, a participação brasileira também se destacou pelo trabalho institucional. Segundo o diretor técnico da bSBR, Sergio Scheer, o Summit foi uma boa oportunidade para fortalecer parcerias internacionais. A delegação participou de reuniões com a diretoria da buildingSMART International, capítulos de outros países e instituições como a Universidade do Porto, a Universidade de Barcelona e a Fundação CERTI. Um dos focos foi o desenvolvimento do futuro domínio de Energia em Transição, com potencial de conexão direta com projetos do BIM Fórum Brasil.

Também houve avanço em conversas com capítulos de países como Portugal, Espanha, França e Estados Unidos, abrindo caminho para novas colaborações.

Outro destaque foi a participação brasileira na programação do evento. Rodrigo Koerich moderou o painel internacional “openBIM Today and Tomorrow”, que reuniu especialistas para discutir os próximos passos do setor. O Brasil também esteve envolvido em iniciativas da buildingSMART, como o projeto internacional openBIM Business Value Capture (BVC), que teve os resultados do primeiro ano apresentados no evento.

Na área técnica, o país também marcou presença nas discussões do domínio ferroviário, com contribuições ligadas ao Projeto VIAS, reforçando o alinhamento com as agendas internacionais de infraestrutura.

Um ponto importante foi o reconhecimento do capítulo brasileiro, que passou de “capítulo em desenvolvimento” para “capítulo pleno” da buildingSMART, um avanço que mostra a evolução e a relevância do trabalho realizado no país.

Para os participantes, a organização e o alto nível técnico do Summit reforçam a percepção de que esta foi uma das edições mais relevantes já realizadas pela buildingSMART.

Também foi destacada a importância de levar as características do Brasil e da América Latina para o desenvolvimento dos padrões openBIM, garantindo que sejam realmente globais e aplicáveis a diferentes contextos.

O que vem pela frente

No encerramento, foi anunciado que a próxima edição do Summit acontecerá em Tóquio, em outubro. A mensagem final foi direta: o futuro do BIM é orientado por dados, tendo como pilares a interoperabilidade, a governança da informação, a integração com inteligência artificial e a aplicação em escala — da infraestrutura às cidades.

Segundo Scheer, a buildingSMART segue comprometida com o desenvolvimento da nova geração do IFC, o IFCX, além da manutenção e evolução da série atual, com o IFC4.3 e a atualização do IFC4.4 em processo de encaminhamento para a ISO.

A presença brasileira nesse cenário reforça não só o alinhamento com essas transformações, mas também a capacidade de contribuir ativamente para o que vem pela frente.

Fique por dentro das notícias e atualidades do universo BIM

Cadastre-se e receba, semanalmente, o informativo Radar BIM Fórum Brasil, com notícias atualizadas sobre tendências, novas tecnologias, práticas BIM, casos de sucesso, legislações, padrões internacionais e inovações no mercado. Também tenha acesso à agenda de eventos, cursos, premiações e consultas públicas. Informe seu e-mail para receber todas essas novidades diretamente na sua caixa de entrada. || IMPORTANTE: Temos o compromisso de respeitar sua privacidade e cumprir com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).